A cultura organizacional entrou na minha vida profissional a partir da constatação da sua relevância no alinhamento das pessoas para a maximização do valor, nos negócios e nas experiências individuais.
Tem sido este o meu foco desde 2009.
Hoje, o que está cada vez mais claro é que esta cultura que até bem pouco era trabalhada com o intuito de “conservar” um jeito empresarial de ser próprio, passou a ser a principal alavanca para “atualizar” o mindset organizacional, diante do contexto de intensa mudança que vivemos, puxada pela transformação digital.
Percebo com muita clareza, a partir de minhas experiências em diferentes segmentos, essa variação no contexto:
DE: a cultura reforçando, cuidando, protegendo um jeito de ser existente; PARA: a cultura despertando, alavancando, puxando uma atualização nesse jeito de ser.
Tudo isso sem rupturas, claro. Uma evolução gradual e coerente com a trajetória da organização.
Nesse cenário agitado, a visão que prevalece é a de que as equipes não têm acompanhado o ritmo do avanço tecnológico. E que a tecnologia não representa a solução em si para tratar antigos ou novos problemas: ela deve ser incorporada de forma inteligente e coerente, como um instrumento que potencializa e capacidade humana.
As pessoas continuam sendo o agente que resolve problemas, constrói vínculos e fortalece marcas. Elas precisam ser preparadas para evoluir junto com a tecnologia e fazer as melhores conexões entre este instrumento e os problemas a serem resolvidos.
Para melhor lidar com a infinidade de possibilidades tecnológicas e suas aplicabilidades nas rotinas organizacionais, as pessoas precisam atualizar o modelo mental a começar pela alta liderança do negócio.
O processo de alinhamento cultural, associado à estratégia de futuro do negócio, surge como uma necessidade fundamental para garantir que todos olhem numa mesma direção, compreendam o porquê das mudanças e adotem novos comportamentos. Isso tudo é condição para que a inovação cresça e se dissemine em toda a organização, trazendo os resultados esperados.
Senso de urgência, experimentação, colaboração, aprendizado contínuo, transparência são exemplos de comportamentos essenciais para o progresso tecnológico nas empresas. Eles precisam ser estimulados através de uma narrativa que faça sentido com a trajetória da empresa, e dependem de lideranças que sejam exemplo para conquistar o engajamento das pessoas.
Para contar com um ambiente inspirador que, de fato, incentive a inovação, a empresa precisa “comunicar” uma só mensagem, ou seja, diversos aspectos da gestão precisam acompanhar esse novo mindset: da estrutura hierárquica, aos processos, indicadores rituais, critérios de contratação, etc. Tudo isso tem significado para as pessoas e precisa também fazer parte do processo de alinhamento cultural.
Essa transformação digital tão desejada passa, essencialmente, por uma atualização do mindset das pessoas e por uma verdadeira motivação para que todos dediquem energia a essa mudança.
Vivenciar a transformação digital é muito mais sobre mudar o mindset do que sobre o investir em tecnologia. É preciso preparar as pessoas, e por consequência o ambiente, para que todos estejam verdadeiramente voltados para a maximização do valor percebido no ecossistema, para que as novas experiências tenham bons impactos nos resultados e sejam sustentáveis.
Uma cultura que estimula os comportamentos aqui citados “poliniza” — ela espalha o pólen que vai fazer brotar a inovação em toda a organização.