O alinhamento como combustível fundamental no trabalho à distância

Se a atenção ao alinhamento organizacional já era uma crescente em nossa era vuca (volátil, incerta, complexa e ambígua), a pandemia e a nova realidade de trabalho remoto o tornaram algo ainda mais relevante para o engajamento e produtividade das pessoas.

Como manter as pessoas sintonizadas e, consequentemente, engajadas e produtivas?

Como conectá-las com o que é importante?

Como manter o alinhamento diante das previsíveis mudanças de curso?

Essas questões têm sido debatidas em empresas de portes diversos e a minha postura é sempre de alta positividade, a partir da convicção de que a velha fórmula de sucesso da boa gestão de pessoas continua valendo: comunicação dinâmica e liderança próxima. Esses ingredientes somados à abundância de instrumentos tecnológicos hoje acessíveis, do ponto de vista de investimento e de complexidade, são os trilhos centrais para fomentar o alinhamento à distância. É fato que para empresas que não tinham ainda forte adoção de tecnologia, as barreiras são maiores, mas todas transponíveis!

Sou uma entusiasta sobre esse tema. Há 12 anos, não me sentia mais feliz no modelo de trabalho tradicional e busquei um formato mais flexível, tendo a certeza de que poderia ser ainda mais produtiva de outra forma. Empreendi e, como consultora, tenho conduzido diversos trabalhos em formato híbrido, construindo e mantendo forte alinhamento com as equipes dos meus clientes. Em 2018, passei uma temporada de 8 meses no exterior com a minha família e aquela foi uma rica experiência de trabalho à distância… momento de grande satisfação profissional e de ampla validação dessa forma de trabalhar.

Acredito mesmo que a distância não é e não deve virar sinônimo ou justificativa para a ausência de comunicação, de liderança e, consequentemente, de alinhamento entre as pessoas.

Compartilho, nessa imagem abaixo, os 3 pilares centrais de uma gestão alinhada à distância que, apoiados por uma comunicação dinâmica e liderança próxima, trazem alto impacto na sintonia e produtividade das pessoas trabalhando a partir dos seus anywhere offices:Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

CULTURA REMOTA

Começando com a cultura, minha antiga e grande paixão!

A falta de convívio direto e de observação de bons exemplos limitou os meios de disseminação cultural. É preciso criar novas formas para garantir os valiosos benefícios de uma cultura forte: atração e retenção de talentos com fit cultural, senso de pertencimento, motivação e engajamento do time, assertividade nas atitudes, aumento de autonomia das equipes, vínculos de confiança no ecossistema, distinto valor intangível, entre muitos outros.

É a cultura quem dá o tom organizacional e conduz as pessoas em momentos de mudança, e não seria diferente nesse nosso contexto. Importante declará-la de forma objetiva e garantir coerência com as estratégias e práticas de gestão. Necessário não focar apenas na cultura existente, mas dedicar também energia à reflexão sobre a cultura desejada, contemplando comportamentos fundamentais para o trabalho à distância, como: confiança, autonomia, transparência, agilidade e empatia.

Esses comportamentos já vinham sendo exercitados por empresas que desejam tornar-se mais resilientes e inovadoras… agora eles vêm para a pauta como uma demanda ainda mais intensa, ficando a certeza de que seus benefícios irão muito além da sobrevivência à pandemia.

ESTRUTURA REMOTA

Para garantir uma boa performance dos times, é necessário ir além das condições básicas de conexão das pessoas. É preciso pensar, de forma mais ampla, nos componentes essenciais de um escritório virtual, atendendo às necessidades das pessoas de:

  • Contextualização: Nivelamento de conhecimento sobre a empresa, sua trajetória, propósito, cultura, práticas, regras etc. Clareza de como a organização funciona;
  • Comunicação: Eficiência na troca de informações. Bom funcionamento da comunicação síncrona (instantânea) e assíncrona não instantânea);
  •  Acesso: Acesso a dados e arquivos de maneira clara, intuitiva e descomplicada;
  • Entendimento do fluxo de trabalho: Entendimento do fluxo e status do trabalho para saber como contribuir da melhor forma possível;
  • Acompanhamento dos resultados: Clareza e disponibilidade dos indicadores para evitar alienação ou distorção da realidade e, consequentemente, decisões equivocadas.

RITUAIS REMOTOS

De acordo com Bruce Wayne Tuckman, pensador sobre performance de grupos de trabalho, as equipes passam por 5 estágios de amadurecimento: forming (formação), storming (confronto), norming (normatização), performing (atuação) e adjourning (dissolução/evolução).

Trata-se de um modelo genérico cuja curva evolutiva varia de empresa para empresa, mas é clara a compreensão do quanto o alinhamento pode funcionar como um catalisador de forte impacto na duração de cada etapa e nos resultados obtidos. Importante enxergar que, nesse nosso contexto, mesmo times já acostumados a trabalhar juntos precisam passar por um novo “setup”, adequando-se à nova realidade de trabalho.

Nesse sentido, faz-se necessário promover rituais remotos focados em:

Objetivos claros: Garantir um processo colaborativo de definição de metas claras e atingíveis, ouvindo o time e engajando todos numa direção comum. As pessoas abraçam o que elas criam;

Responsabilidades de cada um: Tratar com clareza as expectativas sobre o trabalho e o grau de autonomia de cada um para que todos saibam como contribuir;

Acordos compartilhados do time: Construir as regras de conduta do grupo dando clareza às expectativas de comportamento. Os acordos tiram a pessoalidade do processo de cobrança, evitando julgamentos pessoais e conflitos;

Rotinas disciplinadas: Definir a forma de trabalhar e colaborar, para cada pessoa alcançar os objetivos, viver a responsabilidade e cumprir os acordos combinados. Conduzir reuniões frequentes que reforcem autorresponsabilidade, disciplina e visão sistêmica;

Avaliações e celebrações: Conduzir retrospectivas para que o time olhe para trás, celebre o que deu certo e construa plano de ação para o que não deu certo. Momentos que transformam a melhoria contínua em hábito;

Conexões individuais: Conduzir reuniões um a um para fomentar espaço de confiança entre líder e liderado, identificando pontos de apoio. Espaço de escuta sem o objetivo de fazer follow up do trabalho.

Construindo a estrutura remota e vivenciando os rituais remotos, os comportamentos evolutivos necessários para a cultura remota estarão, dia a dia, sendo fortalecidos na organização.

Ao olhar para todas essas frentes de ação é esperada uma sensação de complexidade… mas é importante entender que não existe um padrão a ser seguido, nem é necessário que tudo esteja em prática num mesmo dia. Vale usar a criatividade e alta dose de co-construção para experimentar e evoluir aos poucos. Importante encarar esse momento com um “strech” organizacional, uma oportunidade de desenvolvimento, inovação e crescimento; para todos individualmente e para a empresa como um todo!

Sabemos que empresas e pessoas estão reconhecendo vantagens nesse novo modelo, o que sugere que ele será mantido como escolha por muitos no pós pandemia. Por isso, toda energia dedicada agora trará longevos benefícios. Alinhados, onde quer que estejam, os times avançarão cada dia melhor! A colheita será farta.