Antes de compartilhar alguns pensamentos sobre a importância do alinhamento organizacional, gostaria de sugerir uma reflexão inicial, focada no desafiador momento do seu negócio ou da empresa da qual você faz parte: (1) Numa escala de 0 a 10, quanto sintonizados estão os colaboradores, em todos os níveis (do conselho à operação)? (2) No seu entendimento, quais têm sido as principais causas dessa baixa ou alta sintonia no trabalho?
Tudo nas empresas gira em torno das pessoas. São elas que constroem soluções, superam barreiras, inovam e fidelizam clientes, entregando valor e resultados. Nenhuma novidade aí. A questão que eu gostaria de colocar aqui é: o trabalho na sua empresa gira em torno do quê? Ou seja, o que tem funcionado como um centro gravitacional para manter as pessoas sintonizadas, colaborativas, adaptadas e engajadas em nosso contexto cheio de incertezas?
Apesar de todos os novos desafios trazidos pela pandemia, vivemos também uma era de “abundância”, como discorrem Peter H. Diamandis e Steven Kotler, de forma otimista e instigante, no bestseller sobre o tema. A variedade de ferramentas e estratégias disponíveis hoje para implementação nas empresas é enorme. A disponibilidade crescente de tecnologia e de informação, a velocidade da comunicação e as novas demandas dos clientes evidenciam a necessidade de foco, escolha e coesão para que as empresas obtenham uma rota consistente de crescimento. Para lidar bem com essa pluralidade de possibilidades, os líderes precisam de um conjunto de pensamentos soberanos que sirvam como um norte e apontem critérios de escolha, reduzindo a complexidade e ampliando a assertividade nesse múltiplo trato. Uma abordagem que ofereça um claro trajeto de análise, assegure coerência e conquiste o engajamento de todos os colaboradores.
Diferente do que alguns podem pensar, o alinhamento não engessa as pessoas, não limita suas capacidades, não as torna iguais. Muito pelo contrário. Quando bem trabalhado, ele se torna a instrumento central para fomentar a criatividade e inovação, potencializando ao máximo a contribuição de cada colaborador. Porque ele inspira e dá contexto. O alinhamento apresenta os trilhos centrais para uma experimentação coerente e responsável, possibilitando o aumento de autonomia tão desejado pelas novas gerações de talentos.
Além de pensar nos benefícios do alinhamento, é válida a reflexão também sobre os impactos negativos da sua inexistência… o desalinhamento das pessoas é custoso e esse impacto financeiro muitas vezes não é explícito, nem quantificado. Entre os comuns custos ocultos estão planejamentos não executados, oportunidades perdidas, falhas ou faltas de execução, vendas não fechadas, baixa fidelização de clientes, alto turnover etc. Na reflexão sobre as causas desses problemas, as pessoas envolvidas normalmente fazem, de forma míope, outras associações, passando longe de uma conexão com a baixa sintonia no trabalho.
Pensando nessa “invisibilidade” do desalinhamento, gosto muito da analogia feita pelo Dr. Riaz Khadem, em seu livro Alinhamento Total:
“Operar uma empresa que não está alinhada é como dirigir um carro com pneus desalinhados. Será possível avançar, mas de modo ineficiente e à custa de um grande desgaste. O progresso será mais lento e a viagem será mais atribulada”.
A partir dessa introdução sobre a importância do alinhamento, apresento aqui um conteúdo objetivo que serve de base para ampliar a sintonia entre todos que fazem a empresa, independente de área ou nível hierárquico. Trata-se dessas três perguntas fundamentais: O QUE a empresa faz? COMO a empresa faz o que faz? POR QUE a empresa faz o que faz da forma que faz?
A partir do conceito-base do Círculo Dourado, criado por Simon Sinek, detalho de forma objetiva a amplitude de cada uma dessas respostas. Na uniq, consideramos essa tríade a essência da identidade da marca:
O QUE: A proposta de valor e posicionamento do negócio. Relevância e benefícios por trás do que fazem, sob a ótica do cliente. O impacto esperado do trabalho de todo o time, deixando claras as rotas para atenderem de forma crescente às expectativas.
COMO: As diretrizes fundamentais para trabalharem coletivamente. Os traços da cultura organizacional e os principais objetivos estratégicos (OKRs – Objective Key Results) que, de forma convergente, devem orientar o trabalho de todos, diariamente.
PORQUE: O propósito comum a todos. A intenção principal do negócio, extrapolando a geração de lucros e apontando os caminhos para inovação com solução de novos problemas. O significado central do trabalho de cada um, com visão de futuro e impacto relevante na vida das pessoas.
Quando essas diretrizes estão claras e o time percebe coerência nas vivências diárias, temos aí uma excelente base para o aumento de alinhamento e performance. É realmente difícil obter um aumento de performance sustentável quando os indivíduos não compreendem e não estão alinhados com o o que, como e porque a empresa deseja realizar.
Importante ressaltar que essa essência da identidade precisa se manter viva e dinâmica passando por revisões sempre que o cenário apresentar expressivas mudanças e alimentando uma conversa contínua sobre o tema, em todos os níveis da organização; como diz Edgar Papke no seu livro True Alignment:
“Alinhamento é a conversa contínua que conduz ao sucesso. Alinhamento é a conversa.”
Essa comunicação precisa ser ampla e inclusiva. Mais do que nunca, líderes devem ser inclusivos. Assim, é papel da liderança encontrar maneiras inovadoras de garantir que todos tenham acesso ao tema e partilhem desse entendimento que faz grande diferença nas entregas diárias e pode ter efeito transformador nos resultados coletivos.
Como resultado de todos os nossos trabalhos focados no alinhamento, chegamos sempre à percepção de uma maior clareza e intensidade da“voz institucional”, ou seja, de um posicionamento empresarial que reverbera, sem distinção, junto a todos! Momento de fortalecimento do autoconhecimento coletivo. Momento que coloca todos na mesma página e eleva o batimento cardíaco da organização, evidenciando o quanto a empresa está viva e energizada para perseguir o desenvolvimento crescente e sustentável.
OBS: Em um próximo artigo, irei falar sobre o que precisa vir junto com os esforços de comunicação para garantir a coerência que citei aqui e um alinhamento sistêmico, indo bem além de declarações com palavras.